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À prova de roubos
Fonte: Folha de S. Paulo RIO DE JANEIRO - Na madrugada de quinta-feira, em SP, ladrões penetraram no Masp e, em três minutos, subtraíram duas telas: um Picasso (menor, mas sempre um Picasso) e um Portinari, este familiar até para ignorantes plásticos como eu. Duas peças de difícil comercialização para receptadores com um nome a zelar. Se os fulanos tivessem ficado dez minutos no recinto, talvez escolhessem material mais fácil de passar nos cobres. Na véspera, em Brasília, a Presidência da República devolveu uma escultura de Elisa Bracher que até há pouco enfeitava os jardins do Palácio da Alvorada, constando de um feixe de toras de madeira, tipo casualmente empilhadas, com cinco metros de altura. Corria em palácio que a primeira-dama Marisa Letícia, conservadora nas artes em geral, desaprovava a proposta conceitual da obra -que, como se não bastasse, fora uma encomenda de sua antecessora. Pois, nesse caso, acho que o prejuízo foi de dona Marisa. Pelo que vi nas fotos, as toras caíam muito bem na fachada do Alvorada. Quase tudo em Brasília, mesmo os palácios de 1960, tem um aspecto de abandono ou de prematuramente roto, e aqueles troncos no gramado davam um cálido ar de canteiro de obras ao cafofo oficial. Por outro lado, já que a escultura de Elisa não atendia aos padrões estéticos de dona Marisa, deveria ter sido doada ao Masp. Queria ver se, mesmo que ficasse à mão, dando sopa no vão livre sob o museu, haveria ladrões com tutano para surrupiá-la. Afinal, pesa dez toneladas. Outra maneira de o Masp se garantir contra futuros prejuízos é trocar todo o seu inestimável acervo pelas "instalações" produzidas por nossos artistas nos últimos tempos, à base de paçoca, maçãs podres, larvas ou pererecas. Se nenhuma delas for roubada, ótimo. Se for, o problema é do ladrão. |