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Eventos comemoram 80 anos do escritor
Fonte: Guia da Folha
Maria Eugênia de Menezes Tal qual um artista da Renascença deslocado, nascido fora de época, Ariano Suassuna tocava piano, pintava, escrevia, fazia esculturas ––tudo ao mesmo tempo. Mas, a certa altura, como se o século 20 lhe pesasse nos ombros, o menino paraibano sentiu a necessidade de entregar-se a uma só atividade e decidiu-se pela literatura. A escolha renderia ao país um de seus mais importantes escritores, capaz de construir uma obra na confluência entre a literatura de cordel e os bardos europeus, entre os romances de cavalaria e os cantadores nordestinos.
Dramaturgo, poeta, romancista e influente pensador da cultura nacional ––fundador do movimento Armorial em 1970–– Suassuna vem recebendo homenagens desde junho, quando completou 80 anos. A agenda de festividades, que já passou pelo Rio de Janeiro e incluiu o lançamento da minissérie televisiva “A Pedra do Reino”, chega neste mês a São Paulo. Quem abre a extensa programação, que prevê palestras, leituras dramáticas, espetáculos teatrais, shows e exposições em diversos espaços, é o próprio autor. Em uma de suas famosas aulas-espetáculo, marcada para esta terça (dia 18), no Memorial da América Latina, Suassuna trata de diferentes temas, alternando músicas e histórias do repertório popular nordestino. Para participar da aula é preciso se inscrever pelo site www.nossacaixa.com.br. Memorial da América Latina - auditório Simón Bolívar (av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda, região oeste, tel. 3823-4600). 876 lugares. Ter. (dia 18): 19h30. Estac. (R$ 10 - convênio).
+ Suassuna
Peças teatrais “Auto da Compadecida”, 1957 “A Pena e a Lei”, 1971 “Farsa da Boa Preguiça”, 1974
Romances “Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta”, 1976 “História d’O Rei Degolado nas Caatingas do Sertão: ao Sol da Onça Caetana”, 1975-76
Montagem carioca revê trajetória pessoal do paraibano
Maria Eugênia de Menezes
Toda a literatura de Ariano Suassuna nasce do encontro entre a imaginação e a autobiografia. Como se a cada novo livro, o autor tentasse fazer reviver o pai, assassinado por motivos políticos, quando tinha apenas três anos.
A montagem carioca “Ariano”, que estréia amanhã (dia 15), no Centro Cultural Banco do Brasil, se debruça sobre a trajetória pessoal do escritor. Na história, protagonizada pelo ator Gustavo Falcão, o jovem Ariano pede ajuda a alguns de seus personagens para chegar ao Reino de Acauhan, referência ao nome da fazenda onde nasceu.
Escrita por Gustavo Paso (que também assina a direção) e pelo poeta paraibano Astier Basílico, a peça foge da chave realista e coloca o escritor dentro de um sonho. “Só desse jeito eu poderia fazer com que ele se encontrasse com suas criações, como João Grilo, Chicó e Nevinha”, explica Paso. Inspirados na “Divina Comédia”, de Dante Alighieri, os dramaturgos dividem o texto em três momentos: Sol (inferno), Sangue (purgatório) e Sonho (paraíso).
Durante a apresentação, os 16 atores da Cia. Epigenia Arte Contemporânea também tocam instrumentos como rabeca, pífano, acordeão, pandeiro e violas. A trilha sonora do espetáculo inclui canções inéditas, além de cheganças e folguedos. [MEM] Centro Cultural Banco do Brasil - teatro (r. Álvares Penteado, 112, região central, tel. 3113- 3651). 125 lugares. Qui. a sáb.: 19h30. Dom.: 18h. Estréia 15/9. Até 4/11. 95 min. 16 anos. Ingr.: R$ 15.
Romance de Suassuna inspira espetáculo pernambucano
Maria Eugênia de Menezes Primeiro romance de Suassuna, “Fernando e Isaura” é uma versão nordestina do clássico “Tristão e Isolda” e ganhou adaptação para os palcos em 2003, em Recife. Dirigido pelo pernambucano Carlos Carvalho, o espetáculo tem única apresentação nesta quarta (dia 19), no teatro Sérgio Cardoso.
A trama se passa às margens do rio São Francisco e narra a história do casal apaixonado sob duas frentes: comédia e tragédia. Todas as canções da peça são executadas ao vivo pelo grupo Sagrama, criador da trilha sonora da minissérie “O Auto da Compadecida”. Dante Suassuna, filho do escritor, assina os figurinos. [MEM] Sérgio Cardoso - sala Sérgio Cardoso (r. Rui Barbosa, 153, Bela Vista, região central, tel. 3288-0136). 856 lugares. (retirar ingr.c/ uma hora de antecedência). Qua.: 19h30. 100 min.
Autor é tema de duas exposições fotográficas
Maria Eugênia de Menezes
O escritor Ariano Suassuna é retratado em duas exposições fotográficas em cartaz na cidade. Depois de passar pela Academia Brasileira de Letras, a mostra “Ariano Suassuna: uma Fotobiografia” chega ao Memorial da América Latina nesta terça (dia 18). Com curadoria de Anselmo Maciel, a exposição revela flagrantes da história pessoal de Suassuna, sua trajetória intelectual e traz registros do escritor ao lado de amigos como João Cabral de Melo Neto e Rachel de Queiroz.
A partir de uma incursão pelo universo mítico de obras como “A Pedra do Reino”, o fotógrafo Gustavo Moura apresenta, no Espaço Cultural Nossa Caixa, fotos inéditas da intimidade do autor. [MEM] Ariano Suassuna: uma fotobiografia Memorial da América Latina - biblioteca Victor Civita (av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda, região oeste, tel. 3823-4600). Seg. a sex.: 9h às 18h. Sáb. e dom.: 9h às 15h. Abertura: 18/9. Até 30/9.
Do Reino Encantado Espaço Nossa Caixa Arte e Cultura (r. Álvares Penteado, 70, II mezanino, centro, tel. 3244 6838). Seg. a sex.: 10h às 16h. Abertura: 20/9. Até 19/10.
+ Suassuna
no Memorial da América Latina quinta, dia 20 palestra com Lucila Nogueira e depoimento de Luiz Fernando Carvalho, às 19h30
Sexta, dia 21 palestra com Carlos Newton Jr., às 19h30
Terça, dia 25 palestra com Bráulio Tavares e leitura dramática de “A Pedra do Reino”, com Cacá Carvalho, a partir das 19h
Sexta, dia 28 palestra com Walnice Nogueira Galvão e show com o Quarteto Pererê, a partir das 19h30
Sábado, dia 29 exibição dos filmes “O Auto da Compadecida”, de Guel Arraes; “O Sertãomundo de Suassuna”, de Douglas Machado; e “Música Armorial, de Ana Paula Campos, a partir das 16h
Domingo, dia 30 exibição dos filmes “Quaderna”, de Alexandre Montoro; “Música Armorial”, de Ana Paula Campos; “A Farsa da Boa Preguiça” e “Uma Mulher Vestida de Sol”, ambos de Luiz Fernando Carvalho, a partir das 16h
show de Antonio Nóbrega e Quarteto, às 20h30
no CCSP Sábado, dia 22 narração de histórias, com a Cia. de Teatro Terceiro Toque, às 15h
show com o Duo Virundum e leitura dramática de “O Auto da Compadecida”, com Antonio Abujamra |